@polyannalmeida

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O drama dos Baobás

Dia 31/12 eu li o Capítulo V de “O Pequeno Príncipe” pro meu amigo @mouralexandre. Ele me presenteou com uma adaptação genial do livro em forma de quadrinhos porque sabe que adoro a obra, mas nem sabia porque. Então li e expliquei a primeira lição - a dos Boabás.

“Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. (…) Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.

Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava enfestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.”

A nossa vida é um planeta pequeno cheio de sementes de baobá. É muito fácil deixar aflorar um sentimento ruim, deixar que ele te controle do que pensar no bem. Um sentimento ruim pode destruir seu planeta. É impossível impedí-los de brotar porque faz parte da nossa natureza. Ódio, ciume, rancor, raiva, inveja.. é o que somos. A limpeza diária dos baobás impede que você mesmo destrua aquilo que ama.

“Às vezes não há inconveniente em deixar um trabalho para mais tarde. Mas, quando se trata de baobá, é sempre uma catástrofe”

Horas depois de explicar a lição do baobá, eu encontrei um no meu planeta. Deixei o trabalho pra depois e permiti que crescesse. Desta vez eu pude extrair, mas está lá a marca de onde ele esteve.

E, de acordo com as indicações do principezinho, desenhei o tal planeta. Não gosto de tomar o tom de moralista. Mas o perigo dos baobás é tão pouco conhecido, e tão grandes os riscos daquele que se perdesse num asteróide, que, ao menos uma vez, faço exceção à minha reserva. E digo portanto: “Meninos! Cuidado com os baobás!” Foi para advertir meus amigos de um perigo que há tanto tempo os ameaçava, como a mim, sem que pudéssemos suspeitar, que tanto caprichei naquele desenho. A lição que eu dava valia a pena.

Citações de “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry

Notas

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